Alergia na primavera: por que o Sul sofre mais e como proteger nariz e pulmões

Alergia na primavera: campo de azevém em floração liberando pólen no Sul do Brasil

A primavera começou em 22 de setembro e, com ela, a alergia na primavera volta a aparecer no Sul do Brasil. O principal responsável é o pólen das gramíneas, desencadeando Rinite alérgica, piora da Asma e se somando às viroses de uma estação com manhãs frias e tardes quentes. Neste texto, explico por que isso acontece, como diferenciar alergia de resfriado e o que fazer para atravessar a estação respirando melhor.

Por que a alergia na primavera é mais intensa no Sul

Na primavera, as plantas liberam pólen para se reproduzir. Os grãos são leves, viajam quilômetros com o vento e, em pessoas predispostas, são reconhecidos pelo sistema imunológico como uma ameaça. O resultado é a Polinose, a alergia ao pólen.

No Brasil, a Polinose é um problema sobretudo do Sul. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), o azevém (Lolium multiflorum) é a principal fonte de pólen alergênico do país: cerca de 22% das crianças da região são sensibilizadas ao pólen de gramíneas, e aproximadamente um em cada quatro adultos tem sintomas.

Há ainda um agravante: com o aquecimento global, a floração começa mais cedo e a temporada de pólen dura mais do que no passado.

Rinite alérgica e Conjuntivite: os primeiros sinais

Os sintomas costumam aparecer no nariz e nos olhos:

  • Espirros em sequência, principalmente pela manhã e ao ar livre;
  • Coriza clara e nariz entupido;
  • Coceira no nariz, nos olhos, no céu da boca e na garganta;
  • Olhos vermelhos e lacrimejando (Conjuntivite alérgica);
  • Cansaço e sono ruim, porque o nariz obstruído atrapalha a respiração à noite.

Rinite, Sinusite e Asma andam juntas porque nariz e brônquios fazem parte da mesma via aérea. Expliquei essa relação no post Rinite, Sinusite e Asma: o que as 3 têm em comum?.

Asma na primavera: quando o pólen chega aos pulmões

Quem tem Asma costuma sentir a primavera no peito. O pólen inflama os brônquios, e a variação brusca de temperatura, o vento e a umidade que sobe e desce ao longo do dia funcionam como gatilhos adicionais. Rinite mal controlada também dificulta o controle da Asma.

Um fenômeno raro, mas bem documentado, é a Asma de tempestade. Durante temporais na estação de pólen de gramíneas, a umidade rompe os grãos em partículas muito pequenas, que o vento espalha e que chegam fundo aos pulmões. Em Melbourne, na Austrália, uma tempestade em 2016 levou milhares de pessoas às emergências em poucas horas — muitas delas com Rinite, sem diagnóstico prévio de Asma.

Sinais de alerta

  • Falta de ar que piora ou não melhora com a bombinha de alívio;
  • Chiado no peito ou tosse seca que acorda à noite;
  • Necessidade de usar o broncodilatador de alívio mais de duas vezes por semana;
  • Dificuldade para falar frases completas — nesse caso, procure uma emergência.

Para entender melhor a doença, leia o post sobre Asma em adultos.

Viroses e Sinusite: a outra face da estação

A primavera no Sul de Santa Catarina tem grande amplitude térmica: manhãs frias, tardes quentes e frentes frias que voltam de repente. Os vírus respiratórios continuam circulando, e uma mucosa já inflamada pela alergia fica mais vulnerável. É comum tratar um resfriado como alergia, ou o contrário. A tabela ajuda a diferenciar:

CaracterísticaAlergia (Rinite alérgica)Resfriado (virose)
InícioSúbito, ligado à exposição (ar livre, vento)Gradual, em 1 a 2 dias
CorizaClara e aquosaClara no início, pode piorar
Coceira no nariz e nos olhosMuito frequenteRara
FebreNãoPode ocorrer
Dor no corpoNãoComum
DuraçãoSemanas, enquanto houver exposição7 a 10 dias
ContágioNãoSim

Quando a congestão, a dor na face e a secreção espessa passam de 10 dias, ou pioram depois de uma melhora inicial, pode ser Sinusite bacteriana, que merece avaliação médica. Tosse que dura mais de três semanas também: explico as causas no post Tosse que não passa. E, se você tem mais de 60 anos ou doença pulmonar crônica, mantenha a vacina da gripe em dia.

Como prevenir a alergia na primavera: 6 cuidados práticos

  1. Mantenha as janelas fechadas nas manhãs e nos dias secos e com vento, quando há mais pólen no ar. No carro, use o ar-condicionado no modo recirculação.
  2. Ao chegar da rua, troque de roupa e lave o rosto. Se possível, lave o cabelo antes de dormir.
  3. Seque a roupa dentro de casa nos dias de vento.
  4. Faça lavagem nasal com soro fisiológico, que remove pólen e secreção.
  5. Use óculos de sol ao ar livre para reduzir o contato do pólen com os olhos.
  6. Não interrompa o tratamento de manutenção da Asma ou da Rinite porque os sintomas melhoraram — a estação ainda não acabou.

O ar seco também irrita as vias aéreas; falei disso no post sobre ar seco e doenças respiratórias em Criciúma.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico começa na consulta: sintomas que voltam todo ano na mesma época já dizem muito. Os exames complementam a avaliação:

  • Teste alérgico: identifica a sensibilização a aeroalérgenos. Na Pneuma, o painel inclui ácaros, fungo (Aspergillus), cão, gato e barata — alérgenos que muitas vezes se somam ao pólen e mantêm os sintomas o ano todo.
  • Espirometria: mede a função pulmonar e confirma a Asma quando há falta de ar, chiado ou tosse persistente.

O tratamento é individualizado. As principais opções são anti-histamínicos, corticoides nasais e, na Asma, corticoide inalatório de manutenção, conforme as recomendações da Global Initiative for Asthma (GINA). Descongestionantes nasais em spray, usados por conta própria por mais de poucos dias, causam efeito rebote e pioram a obstrução.

Quando procurar um pneumologista?

  • Sintomas que voltam toda primavera e atrapalham o sono, o trabalho ou o exercício;
  • Chiado, falta de ar ou tosse noturna;
  • Uso frequente da bombinha de alívio;
  • Asma já diagnosticada que piorou com a chegada da estação.

Agende sua consulta pelo WhatsApp: (48) 98844-6404 — Rua José de Luca, 95, Mina Brasil, Criciúma-SC. Atendemos particular, Unimed e São José. Se preferir, fale conosco pela página de contato.

Perguntas frequentes

Quando começa e quando termina a temporada de pólen no Sul?

Em geral, acompanha a primavera: vai de setembro a dezembro, com maior concentração de pólen de gramíneas entre outubro e novembro. O início e a intensidade variam a cada ano conforme o clima.

Alergia ao pólen pode causar crise de Asma?

Sim. Em quem tem Asma, o pólen inflama os brônquios e pode desencadear crises. Tratar bem a Rinite também ajuda a controlar a Asma, porque nariz e brônquios fazem parte da mesma via aérea.

Como saber se é alergia ou resfriado?

Coceira no nariz e nos olhos, ausência de febre e sintomas que duram semanas, enquanto houver exposição ao pólen, sugerem alergia. Febre, dor no corpo e melhora em 7 a 10 dias sugerem virose.

Lavagem nasal com soro fisiológico ajuda na alergia na primavera?

Ajuda. A lavagem remove pólen e secreção da mucosa e alivia a congestão. É um complemento ao tratamento prescrito, não um substituto.

Existe vacina para alergia ao pólen?

Existe a imunoterapia alérgeno-específica, conhecida como vacina de alergia, aplicada por injeção ou sublingual. Ela reduz a sensibilidade ao alérgeno a longo prazo e é indicada em casos selecionados, com acompanhamento médico.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de falta de ar intensa, procure um serviço de emergência.