Muita gente acredita que Asma é coisa de criança, que quem tem Asma não pode fazer exercício ou que a “bombinha” cria dependência. Esses mitos atrasam diagnósticos, interrompem tratamentos e prejudicam a qualidade de vida de milhões de pessoas. Neste artigo, o Dr. Renato Piucco Matos, Pneumologista da Clínica Pneuma em Criciúma (SC), explica o que é verdade e o que é mito, além de como é possível viver muito bem com Asma.
Asma em adultos: mais comum do que você imagina
A Asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais prevalentes no mundo. De acordo com a Global Initiative for Asthma (GINA 2025), ela afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas globalmente e causa cerca de 1.000 mortes por dia — a grande maioria delas evitável, com tratamento adequado. No Brasil, estudos mostram que até 20% dos adolescentes apresentam sintomas compatíveis, mas que apenas 12% dos asmáticos têm diagnóstico prévio estabelecido. Entre adultos, o subdiagnóstico é ainda maior. Um inquérito nacional apontou que somente 12,3% dos asmáticos brasileiros têm a doença bem controlada, refletindo que temos um longo caminho a percorrer.
Isso acontece porque os sintomas da Asma no adulto são frequentemente confundidos com outras condições: cansaço fácil, “falta de preparo físico”, Sinusite ou até ansiedade. Enquanto o diagnóstico correto não é feito, o paciente convive com limitações desnecessárias.
A Asma pode surgir pela primeira vez na vida adulta, inclusive depois dos 40 ou 50 anos. Ela também pode ser uma Asma da infância que voltou depois de um tempo. Em ambos os casos, o diagnóstico e o tratamento corretos fazem toda a diferença.
Quais são os sintomas da Asma no adulto?
Os sintomas mais comuns são:
- Falta de ar (dispneia), especialmente ao esforço ou à noite
- Chiado no peito (sibilância)
- Sensação de aperto no tórax
- Tosse seca persistente — frequentemente pior à noite ou de madrugada
Uma característica importante da Asma é a variabilidade dos sintomas: há dias em que o paciente está bem e dias em que piora, especialmente quando exposto a fatores desencadeantes como poeira, mofo, animais, mudança de temperatura, infecções respiratórias ou exercício físico intenso.
Os mitos mais comuns sobre Asma e o que a ciência diz
Estes são os equívocos que mais escutamos no consultório. Corrigi-los pode mudar a trajetória de tratamento de um paciente.
Mito 1: “Asma é doença de criança”
A Asma pode surgir em qualquer fase da vida. Asma de início na idade adulta (late-onset asthma) é bem documentada e muitas vezes tem características distintas, como maior associação com Rinite, Refluxo, Obesidade e exposição ocupacional. Adultos também podem ter Asma que persiste desde a infância, mesmo sem crises frequentes.
Mito 2: “A bombinha vicia”
Este é, provavelmente, o mito mais perigoso. Os inaladores de corticosteroide inalatório — o principal tratamento de manutenção da asma — não causam dependência química nem física. O que acontece é que, ao usar corretamente, o paciente se sente bem. Ao parar, os sintomas podem voltar: não por “abstinência”, mas porque a doença ainda existe e precisa de controle contínuo. Interromper o tratamento por medo de “vício” é uma das principais causas de crises graves e hospitalizações.
Mito 3: “Quem tem asma não pode fazer exercício”
O exercício físico é recomendado e benéfico para a grande maioria dos pacientes com Asma controlada. O que existe é a broncoconstrição induzida pelo exercício, que ocorre em parte dos asmáticos e é perfeitamente manejável com medicação adequada antes da atividade. Diversos atletas profissionais de alto rendimento têm Asma e competem normalmente.
Mito 4: “Asma tem cura”
Trata-se de uma doença crônica e, até o momento, não tem cura definitiva. No entanto, ela pode ser completamente controlada. Um paciente com Asma bem tratada pode não ter nenhuma crise, dormir bem, praticar esportes e ter qualidade de vida plena. Controle total é o objetivo do tratamento, não a cura.
Mito 5: “Se não estou tendo crise, posso parar o remédio”
A ausência de crises é justamente o sinal de que o tratamento está funcionando — não de que ele pode ser suspenso. A Asma é uma inflamação crônica das vias aéreas, que persiste mesmo quando os sintomas estão silenciados. Interromper o tratamento de manutenção faz essa inflamação retornar gradualmente, muitas vezes sem aviso, e a próxima crise pode ser mais grave do que a anterior. As diretrizes atuais (GINA 2025 e SBPT) reforçam que o objetivo do tratamento é manter a doença completamente controlada com a menor dose eficaz. Qualquer ajuste de medicação deve ser feito sempre com orientação do Pneumologista.
Como a Asma é diagnosticada e tratada
O diagnóstico da Asma começa com uma consulta detalhada: o médico investiga os sintomas, os fatores desencadeantes, o histórico familiar e as condições associadas (como Rinite e Refluxo). A confirmação é feita com a espirometria, um exame simples e indolor que mede a função pulmonar e avalia como os brônquios respondem a um broncodilatador.
Na Clínica Pneuma, ela é realizada por nossa equipe de fisioterapia respiratória, com laudo do Pneumologista.
O tratamento atual: uma mudança importante que você precisa conhecer
O tratamento da Asma evoluiu significativamente nos últimos anos. A diretriz GINA 2025 e as Recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT 2020) convergem em um ponto central: o broncodilatador de curta duração (SABA) isolado não é mais a primeira linha recomendada, nem mesmo nas crises. A abordagem preferida hoje é baseada no corticosteroide inalatório (CI) — o anti-inflamatório que trata a causa da asma, não apenas o sintoma.
O tratamento é organizado em etapas, conforme o nível de controle da doença. São utilizados desde medicamentos apenas com corticoides inalatórios até broncodilatadores de longa duração e anti-muscarínicos e, em casos de Asma grave, medicamentos biológicos.
O plano de tratamento é sempre individualizado e inclui, além da medicação: técnica inalatória correta, plano de ação escrito, controle do ambiente (ácaro, mofo, fumaça, animais) e tratamento de condições associadas: Rinite, Refluxo, Obesidade e Apneia do sono são comorbidades frequentes que prejudicam o controle da asma.
Referências: Global Initiative for Asthma. GINA Strategy Report, Updated November 2025. Pizzichini MMM et al. Recomendações para o manejo da asma da SBPT – 2020. J Bras Pneumol. 2020;46(1):e20190307.
Viver bem com Asma é possível — veja como
Pacientes com asma bem controlada levam vidas completamente normais. A chave está em quatro pilares:
- Diagnóstico correto: identificar a Asma (e não confundi-la com outras condições) é o primeiro passo. A espirometria é insubstituível para isso.
- Tratamento contínuo e correto: usar o inalador da forma certa (técnica inalatória incorreta é causa comum de falha terapêutica) e não interromper o tratamento de manutenção sem orientação médica.
- Controle dos fatores desencadeantes: identificar e reduzir a exposição aos gatilhos pessoais — que variam de paciente para paciente.
- Acompanhamento regular com Pneumologista: a Asma muda ao longo do tempo. O acompanhamento periódico permite ajustar o tratamento antes que os sintomas piorem.
A Asma não precisa ser um limite. Com o tratamento certo, o acompanhamento adequado e a informação correta, é perfeitamente possível trabalhar, praticar esportes, viajar e viver sem que a doença determine o que você pode ou não fazer.
Tem sintomas de Asma ou está com dificuldade de controlar a doença?
O Dr. Renato Piucco Matos atende na Clínica Pneuma, em Criciúma (SC).
Agende sua consulta pelo WhatsApp: (48) 988446404
Este artigo tem caráter educativo e informativo. Não substitui a consulta médica. Cada caso é único e o tratamento deve ser individualizado pelo seu pneumologista.