Espirometria, pletismografia e broncoprovocação: qual exame serve para quê

Paciente realizando pletismografia em cabine na Clínica Pneuma, ilustrando a diferença entre espirometria e pletismografia

A diferença entre espirometria e pletismografia é uma dúvida de quase todo paciente que chega ao consultório com um pedido de exame na mão. Os dois avaliam a função pulmonar, mas medem parâmetros distintos: um registra o ar que o paciente consegue mobilizar; o outro, o ar que permanece no tórax mesmo depois de uma expiração completa e também a troca gasosa. A broncoprovocação responde a uma terceira pergunta, que nenhum dos dois resolve sozinho. Entender o que cada exame fornece evita repetições desnecessárias, encurta o caminho até o diagnóstico e permite chegar preparado ao dia da avaliação.

Qual exame serve para quê

O quadro abaixo resume o que cada exame de função pulmonar mede e em que situação ele costuma ser solicitado. Se a sua dúvida é a diferença entre espirometria e pletismografia, ela começa a se resolver aqui.

ExameO que medeQuando é indicado
EspirometriaOs fluxos e os volumes de ar que entram e saem dos pulmões em uma manobra forçadaSuspeita ou acompanhamento de Asma e DPOC, tosse crônica, falta de ar, avaliação pré-operatória e ocupacional
PletismografiaOs volumes que permanecem no tórax — volume residual e capacidade pulmonar total — e a resistência das vias aéreasConfirmar restrição pulmonar, medir hiperinsuflação e aprisionamento de ar, esclarecer espirometrias inconclusivas
DLCO (difusão)A eficiência da troca gasosa entre o alvéolo e o sangueEnfisema, doenças intersticiais, falta de ar sem causa definida, suspeita de hipertensão pulmonar
Broncoprovocação com metacolinaA hiper-responsividade brônquica, ou seja, o quanto as vias aéreas reagem a um estímuloSintomas sugestivos de Asma quando a espirometria está normal
Teste alérgicoA sensibilização a aeroalérgenos — ácaros, Aspergillus, cão, gato e barataRinite e Asma persistentes, para identificar os gatilhos e orientar o controle ambiental

Espirometria: o exame de entrada da avaliação respiratória

A espirometria é o ponto de partida. O paciente inspira profundamente e sopra com força em um bocal conectado ao aparelho, que registra o volume de ar expirado e a velocidade com que ele sai. Os dois valores centrais são a capacidade vital forçada (CVF), o total de ar expirado, e o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1). A relação entre eles identifica o padrão obstrutivo, típico da Asma e da DPOC.

O exame é repetido após o uso de um broncodilatador. Se os valores melhoram de forma significativa, há um componente reversível — um dado importante no diagnóstico de Asma, por exemplo. A espirometria leva de 15 a 20 minutos, não é invasiva e depende da colaboração do paciente, por isso a orientação do técnico durante as manobras faz diferença no resultado.

Ela também tem indicação fora do contexto de doença já conhecida: avaliação pré-operatória, investigação de tosse crônica ou falta de ar sem causa definida. Também serve para o acompanhamento de quem tem exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos — realidade frequente em Criciúma, como discutimos no texto sobre a poeira do carvão e os pulmões de quem vive na região. Há, porém, um limite: a espirometria mede apenas o ar mobilizável. Ela pode sugerir restrição pulmonar, mas não confirma. É aí que entra a pletismografia.

A diferença entre espirometria e pletismografia está no que cada uma avalia

A pletismografia é realizada dentro de uma cabine fechada e transparente. Variações de pressão dentro dessa cabine permitem calcular o ar que permanece nos pulmões ao final de uma expiração máxima: o volume residual. A partir dele, avaliamos a capacidade pulmonar total (CPT). E também mede a resistência das vias aéreas.

Na prática, a diferença entre espirometria e pletismografia aparece em três situações:

  • Confirmar restrição: só a redução da capacidade pulmonar total define um distúrbio restritivo. Uma CVF baixa na espirometria pode ser esforço insuficiente, obesidade ou obstrução grave e não doença restritiva.
  • Medir hiperinsuflação e aprisionamento de ar: no Enfisema e na DPOC avançada, o pulmão retém ar. A pletismografia quantifica esse aprisionamento, que explica boa parte da falta de ar e ajuda a acompanhar a resposta ao tratamento.
  • Esclarecer espirometrias inconclusivas: quando o traçado não fecha com a clínica, os volumes pulmonares completam o quadro.

Em resumo: a espirometria diz como o ar entra e sai; a pletismografia diz quanto ar o pulmão comporta. São complementares, não substitutas.

DLCO: quando o problema está na troca gasosa

A medida da capacidade de difusão (DLCO) avalia a eficiência com que o oxigênio atravessa a membrana entre o alvéolo e o sangue. O paciente inala uma mistura com uma quantidade mínima de monóxido de carbono, prende a respiração por cerca de dez segundos e expira; a diferença entre o que entrou e o que saiu indica quanto gás foi transferido.

É o exame que esclarece a falta de ar de quem tem espirometria normal. Valores reduzidos apontam para Enfisema, doenças intersticiais (Fibroses) ou comprometimento vascular pulmonar. Junto com a pletismografia, compõe o que chamamos de avaliação funcional completa. Na prática, a diferença entre espirometria e pletismografia raramente obriga a escolher entre uma e outra: os exames se somam.

Broncoprovocação com metacolina: para quando a suspeita de Asma persiste

Muitos pacientes com Asma têm espirometria normal fora das crises. Quando os sintomas continuam sugestivos, a broncoprovocação é o exame indicado.

Na Clínica Pneuma utilizamos a metacolina, inalada em doses crescentes, com espirometria repetida após cada etapa. A queda do VEF1 além de um limiar definido caracteriza hiper-responsividade brônquica. Ao final, administra-se broncodilatador, e o exame é sempre realizado sob supervisão médica.

Dois pontos merecem atenção na interpretação. Um resultado negativo em paciente sintomático torna a Asma ativa bastante improvável: esse é o maior valor do teste. Já um resultado positivo indica vias aéreas reativas, o que também pode ocorrer na Rinite alérgica, na DPOC e após infecções respiratórias. Por isso o laudo só faz sentido lido junto com a história clínica. Os padrões técnicos seguidos são os da American Thoracic Society e da European Respiratory Society, e as recomendações nacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Teste alérgico e exame do sono: quando a investigação toma outro caminho

Se Rinite e Asma caminham juntas, identificar o gatilho muda o tratamento. O teste alérgico avalia a sensibilização aos aeroalérgenos mais relevantes no nosso meio: ácaros, Aspergillus, cão, gato e barata. A relação entre essas condições está detalhada no texto sobre rinite, sinusite e asma.

Já quando a queixa principal é ronco, pausas na respiração durante a noite ou sonolência durante o dia, nenhum exame de função pulmonar responde à pergunta: a investigação é o exame do sono ou poligrafia. Os dois caminhos podem coexistir no mesmo paciente e são definidos na consulta.

Como se preparar para os exames de função pulmonar

  • Informe todas as medicações em uso no agendamento. A suspensão de broncodilatadores segue orientação médica e tem prazos diferentes conforme o medicamento. Não interrompa nada por conta própria.
  • No dia da broncoprovocação, evite café, chá, refrigerantes à base de cola e chocolate, que podem atenuar a resposta ao teste.
  • Não fume nas horas que antecedem o exame e evite exercício físico intenso.
  • Faça uma refeição leve; evite refeições volumosas nas duas horas anteriores.
  • Use roupas confortáveis, que não restrinjam o tórax e o abdome.
  • Leve exames anteriores, se houver, e a lista de medicações em uso.

O preparo específico de cada exame é confirmado no momento do agendamento. A relação completa está na página de exames de função pulmonar.

Quando procurar um pneumologista em Criciúma

Procure avaliação especializada diante de falta de ar aos esforços, tosse por mais de três semanas, chiado no peito, infecções respiratórias de repetição, histórico de tabagismo atual ou passado, ou exposição ocupacional a poeiras de carvão, cerâmica e sílica. Entender a diferença entre espirometria e pletismografia ajuda, mas quem define quais exames fazer é o pneumologista, a partir da história clínica.

Na Clínica Pneuma, espirometria, pletismografia, DLCO, broncoprovocação e teste alérgico são realizados e laudados por pneumologista no mesmo local, o que evita deslocamentos e encurta o tempo entre a suspeita e a conduta. A consulta com pneumologista pode ser agendada diretamente pelo WhatsApp (48) 98844-6404, sem necessidade de encaminhamento prévio; os exames de função pulmonar são realizados mediante solicitação médica, que pode ser emitida na própria consulta. Atendemos Unimed e São José, além de particular — confirme a cobertura do seu plano pelo WhatsApp ou pela página de contato.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre espirometria e pletismografia?

A espirometria mede os fluxos e o volume de ar que o paciente consegue mobilizar em uma manobra forçada. A pletismografia mede os volumes que permanecem no pulmão, incluindo o volume residual e a capacidade pulmonar total, além da resistência das vias aéreas e da difusão. A espirometria pode sugerir restrição; apenas a pletismografia confirma.

Preciso de solicitação médica para fazer os exames?

Sim, os exames de função pulmonar são realizados mediante solicitação médica. A consulta com o pneumologista, essa sim, pode ser agendada diretamente pelo WhatsApp (48) 98844-6404, e o pedido do exame pode ser emitido nela. Atendemos Unimed e São José, além de pacientes particulares.

A espirometria dói?

Não. É um exame não invasivo, sem agulhas e sem medicação injetável. Exige esforço respiratório e pode causar tosse ou tontura passageira durante as manobras, que se resolvem em segundos.

Posso usar a bombinha antes do exame?

Depende do medicamento e do objetivo do exame. Informe o que você usa no agendamento e siga a orientação recebida; nenhuma medicação deve ser suspensa por conta própria.

Quanto tempo demora cada exame?

A espirometria leva de 15 a 20 minutos. A pletismografia com DLCO leva cerca de 30 a 40 minutos. A broncoprovocação com metacolina pode variar entre 20 e 30 minutos, por causa das etapas sucessivas.


Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico e o tratamento realizados por um médico. Em caso de sintomas respiratórios, procure avaliação profissional.

Dr. Renato Piucco Matos — CRM-SC 19502 — Pneumologia. Clínica Pneuma, Criciúma-SC.