Por Dr. Renato Lopes Matos / Abril de 2026
Influenza: uma doença que nunca deixou de ser relevante. Ela apenas saiu do centro das atenções.
Após a pandemia de COVID-19, criou-se a impressão de que as grandes ameaças respiratórias haviam diminuído. Mas os dados mostram o contrário. Na temporada 2024–2025 nos Estados Unidos, estimativas do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) apontam cerca de 51 milhões de casos, 710 mil hospitalizações e aproximadamente 45 mil mortes — uma das temporadas mais impactantes dos últimos anos.
Nesse contexto, o vírus Influenza A — especialmente o subtipo H3N2 — teve participação importante. E aqui em Santa Catarina, já há confirmação da presença desse subtipo em circulação. Como Pneumologista em Criciúma, considero oportuno reforçar o que você precisa saber sobre a Gripe e sobre a vacinação.
Quem evolui pior — e por quê
Os casos mais graves de Influenza seguem um padrão claro: ocorrem, em sua maioria, entre pessoas não vacinadas.
Nos Estados Unidos, entre crianças, cerca de 90% das mortes por Influenza ocorreram em pacientes não vacinados ou com vacinação incompleta. Em adultos, embora os dados sejam menos detalhados, a tendência é semelhante: a vacinação reduz significativamente as hospitalizações e mortes.
Mais do que evitar a infecção, o principal papel da vacina é reduzir a gravidade da doença. Esse ponto é fundamental e muitas vezes passa despercebido.
H3N2: um subtipo que merece atenção
O H3N2 é um velho conhecido da epidemiologia da Influenza. Historicamente, está associado a um maior número de internações, maior impacto em idosos e maior capacidade de mutação — o que dificulta a proteção vacinal em algumas temporadas.
Sua relevância recente em outros países reforça a necessidade de acompanhamento atento. No entanto, é importante ter clareza: a dinâmica local pode diferir do observado em outros cenários. O que acontece nos Estados Unidos não significa, necessariamente, o mesmo comportamento aqui.
Situação em Santa Catarina
No Brasil, a vigilância epidemiológica mantém monitoramento contínuo das cepas em circulação. Em Santa Catarina, já há confirmação da presença do Influenza A (H3N2).
Até o momento, não há evidência de predominância desse subtipo nem de aumento de gravidade associado. Esse ponto é importante: a presença do vírus não equivale, por si só, a um cenário de exceção. Mas é um lembrete oportuno de que a Influenza continua sendo uma doença com impacto real.
Quem deve ter mais atenção
A Gripe pode ser leve para muitas pessoas, mas representa risco real para alguns grupos. Se você ou alguém da sua família se encaixa em uma dessas situações, a atenção precisa ser redobrada:
- Idosos (acima de 60 anos)
- Pacientes com doenças respiratórias crônicas (DPOC, Asma)
- Cardiopatas
- Diabéticos
- Crianças pequenas (menores de 5 anos)
- Gestantes
Nesses grupos, complicações como Pneumonia, insuficiência respiratória e internações são mais frequentes. O acompanhamento com um Pneumologista pode ajudar a avaliar o risco individual e orientar a prevenção adequada.
Vacina: o ponto central
Existe um equívoco comum: esperar que a vacina impeça todos os casos de Gripe. Na prática, o principal benefício da vacinação é outro — e muito relevante:
- Reduz hospitalizações
- Diminui mortes
- Torna os quadros mais leves
Além disso, ao reduzir a circulação do vírus na comunidade, a vacinação protege também as pessoas mais vulneráveis do seu convívio — como idosos, crianças e pacientes com doenças crônicas.
Por que se vacinar todo ano?
O vírus da Influenza sofre mutações frequentes. Por isso, a vacina é atualizada anualmente, com base nas cepas em circulação global, em um processo coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A vacina do ano passado não garante proteção adequada para as cepas deste ano.
Vacinar-se todos os anos é a forma mais eficaz de manter a proteção atualizada. No sul do Brasil, o período ideal de vacinação é antes do pico da temporada de Gripe, que costuma ocorrer entre maio e julho.
A Influenza continua sendo uma doença com impacto relevante — e, em grande parte, evitável em suas formas mais graves. Em um contexto de informação abundante, talvez o desafio não seja falta de conhecimento, mas de percepção.
Se você faz parte de um grupo de risco, ou convive com alguém que faz, este é o momento de se antecipar: converse com o seu médico e mantenha a vacinação em dia.
Tem dúvidas sobre a Gripe, a vacinação ou sintomas respiratórios?
O Dr. Renato Lopes Matos atende na Clínica Pneuma, em Criciúma (SC).
Agende sua consulta pelo WhatsApp: (48) 988446404
Este artigo tem caráter educativo e informativo. Não substitui a consulta médica. Cada caso é único e o tratamento deve ser individualizado pelo seu pneumologista.