
A poluição do ar em Criciúma tem uma origem clara: mais de cem anos de mineração de carvão. Essa história moldou a economia da região e também deixou uma herança que muitos pacientes só descobrem no consultório, com relação direta com a saúde dos pulmões de quem mora aqui. Rejeitos de carvão, material particulado e resíduos da atividade extrativa continuam presentes no solo, na água e no ar de parte do polo carbonífero, mesmo com a redução da mineração ativa nas últimas décadas. Não é motivo para pânico, mas é motivo para atenção: todo morador se beneficia de saber o que observar. Neste texto, explico o que compõe essa poluição, como ela afeta o sistema respiratório e quando vale a pena buscar uma avaliação pneumológica.
O que compõe o ar na região carbonífera de Criciúma
A extração e o beneficiamento do carvão mineral geram material particulado (poeira fina em suspensão), dióxido de enxofre e outros poluentes que podem permanecer no ambiente por décadas, mesmo após o encerramento de uma mina. Em Criciúma e nos municípios vizinhos da bacia carbonífera, parte do solo e dos corpos d’água ainda carrega resíduos dessa atividade. Estudos da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) já documentaram a presença desses resíduos em comunidades próximas a áreas de mineração. Isso não significa que todo o ar da cidade esteja comprometido hoje: a fiscalização ambiental avançou muito nas últimas décadas. Porém, a região carrega um histórico de exposição diferente de outras cidades do estado.
Efeitos respiratórios agudos e crônicos da exposição
O material particulado fino é pequeno o suficiente para chegar às vias aéreas inferiores e aos alvéolos. Em exposições agudas, pode irritar nariz e garganta, piorar crises de rinite e desencadear falta de ar em quem já tem asma. Em exposições prolongadas, a poluição relacionada à mineração de carvão está associada a bronquite crônica, redução da função pulmonar e maior risco de DPOC, especialmente em quem também fumou ou trabalhou diretamente na extração. Segundo o Ministério da Saúde, a poluição atmosférica é hoje um dos principais fatores ambientais evitáveis de adoecimento respiratório no Brasil. Por isso, sintomas respiratórios persistentes merecem investigação, mesmo que pareçam simples. Já explicamos algo parecido no texto sobre ar seco no outono: mudanças na qualidade do ar afetam os pulmões mesmo sem sintomas graves imediatos.
Quem está mais exposto ao risco
Alguns grupos merecem atenção redobrada:
- Crianças, porque os pulmões ainda estão em desenvolvimento
- Idosos e pessoas com doença pulmonar prévia, como asma ou DPOC
- Ex-trabalhadores da mineração de carvão, com exposição ocupacional direta por anos
- Quem mora perto de áreas de rejeito ou de antigas minas
Nesses grupos, vale ficar atento a tosse persistente, falta de ar aos esforços habituais ou piora frequente de crises alérgicas.
Quando procurar uma avaliação pneumológica
Tosse que dura mais de três semanas, falta de ar que piora com o tempo, chiado no peito recorrente ou infecções respiratórias frequentes são sinais de que vale a pena investigar. A avaliação pode incluir exames de imagem e espirometria, exame que mede a função pulmonar e ajuda a identificar alterações mesmo antes de sintomas mais graves aparecerem. Diagnóstico e acompanhamento precoces fazem diferença no controle da doença respiratória, especialmente para quem tem histórico de exposição à poeira do carvão.
Perguntas frequentes sobre poluição do ar em Criciúma
A poluição do ar em Criciúma ainda é um problema hoje?
Sim, em escala menor que no auge da mineração. A fiscalização ambiental avançou, mas o solo e a água de parte da bacia carbonífera ainda carregam resíduos da atividade extrativa, o que mantém um histórico de exposição diferente de outras cidades da região.
Quem tem mais risco de problemas respiratórios ligados ao carvão?
Crianças, idosos, pessoas com doença pulmonar prévia e ex-trabalhadores da mineração, que tiveram exposição ocupacional direta por anos, merecem atenção redobrada.
Como saber se a poluição do ar afetou meus pulmões?
Tosse persistente, falta de ar aos esforços habituais e infecções respiratórias frequentes são sinais de alerta. A espirometria e, quando indicado, exames de imagem ajudam a identificar alterações antes de sintomas mais graves.
Se você mora em Criciúma ou na região carbonífera e tem sintomas respiratórios persistentes, vale conversar com um pneumologista.
Agende sua consulta pelo WhatsApp: (48) 98844-6404. Rua José de Luca, 95 — Mina Brasil, Criciúma-SC.