Triagem de Câncer de Pulmão: quando e como fazer

Apesar de não ser o tumor mais frequente, o câncer de pulmão é a principal causa de morte por neoplasia entre homens e mulheres no mundo. O diagnóstico tardio é o grande vilão: quando procuram atendimento, 75% dos pacientes já apresentam doença avançada ou metástases, o que inviabiliza o tratamento curativo. Apenas 15% alcançam sobrevida de 5 anos.

Por isso, a triagem — ou seja, a detecção precoce em pessoas ainda sem sintomas — é uma das ferramentas mais poderosas que temos.

Por que a radiografia simples não é suficiente?

Estudos clínicos de triagem com radiografia simples de tórax não demonstraram benefício sobre a mortalidade por câncer de pulmão. Por essa razão, a radiografia convencional não deve mais ser utilizada como exame de triagem para essa doença.

Tomografia de baixa dose: o padrão-ouro atual

A tomografia computadorizada de tórax de baixa dose é um exame não contrastado, realizado em uma única inspiração, que reduz significativamente a exposição à radiação. Suas imagens são muito mais detalhadas, permitindo identificar nódulos milimétricos invisíveis à radiografia convencional.

É o único exame de triagem com capacidade comprovada de reduzir a mortalidade por câncer de pulmão. Essa conclusão vem do National Lung Screening Trial (NLST), um grande estudo americano que acompanhou 53.454 fumantes e ex-fumantes. Segundo o National Cancer Institute dos EUA, a redução de mortalidade obtida com essa triagem é maior do que a alcançada com a mamografia no rastreamento do câncer de mama.

Quem deve fazer a triagem?

A US Preventive Services Task Force (USPSTF) — grupo independente de especialistas designado pelo Departamento de Saúde dos EUA — recomenda triagem anual para pacientes com alto risco, em boas condições de saúde, com até 80 anos de idade.

São elegíveis pessoas com:

  • Mais de 55 anos de idade
  • Histórico tabágico de pelo menos 30 anos-maço (equivalente a 1 maço por dia durante 30 anos, ou 2 maços por dia durante 15 anos)
  • Inclusive ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos

A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz a longo prazo — e a imensa maioria dos casos de câncer de pulmão está diretamente relacionada ao tabagismo.

E se o resultado for anormal?

Não entre em pânico. A maioria dos nódulos encontrados em tomografias de alta resolução são benignos e necessitam apenas de acompanhamento periódico, conforme as recomendações das sociedades de radiologia e doenças do tórax.

O mais importante é que qualquer achado seja avaliado por um pneumologista, que irá orientar os próximos passos com segurança e individualidade.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica. Em caso de dúvidas, procure a orientação de um profissional de saúde.